segunda-feira, 29 de novembro de 2010

OTHER PEOPLE*

'Time is fluid here', said the Demon.

He Known it was a demon the moment he saw it. He known it, just as he knew the place was Hell.

There was nothing else that either of them could have been.

The room was long, and the demon waited by a smoking brazier at the far end. A multitude of objects hung on the rock-grey walls, of the kind that it would not have been wise or reassuring to inspect too closely. The ceiling was low, the floor oddly insubstantial.

'Come close', said the demon, and he did.

The demon was rake-thin, and naked. It was deeply scarred, and it appeared to have been flayed at some time in the distant past. It had no ears, no sex. Its lips were thin and ascetic, and its eyes were a demons's eyes: they had seen too much and gone too far, and under their gaze he felt less important than a fly.

'What happens now' he asked.

'Now' said the demon, in a voice that carried with it no sorrow, no relish, only a dreadful flat resignation, 'you will be tortured'.

'For how long?'

But the demon shook its head and make no reply. It walked slowly along the wall, eyeing first one of the devices that hung there, then another. At the far end of the wall, by the closed door, was a cat-o'nine-tails made of frayed wire. The demon took it down with one three-fingered hand and walked back, carrying it reverently. It placed the wire tines on the brazier, and stared at them as they began to heat up.

'That's inhuman'

'Yes'

The tips of the cat's tails were glowing a dead orange.

As the demons raised its arm to deliver the first blow, it said 'In time you remember even this moment with fondness.'

´You are a liar.'

'No.' said the demon. 'The next part,' It explained in the moment before it brought down the cat, 'it worse.'

Then the tines of the cat landed on the man's back with a crack and a hiss, tearing through the expensive clothes, buring and rending and shredding as they struck and, not for the last time in that place, he screamed.

There were two hundred and eleven implements on the walls of that room, and in time he was to experience each of them.

When, finally, the Lazarene's Daughter, wich he had grow to known intimately, had been cleaned and replaced on the wall in the two hundred and eleventh position, then, through wrecked lips, he gasped, 'Now what?'

'Now', said the demon, 'the true pain begins.'

It did.

Everything he had ever done that had been better left undone. Every lie he had told – told to himself, or told to others. Every little hurt, and all the great hurts. Each one was pulled out to him, detail by detail, inch by inch. The demon stripped away the cover of forgetfulness, stripped everything down to truth, and it hurt more than anything.

'Tell me what you thought as she walked out of the door,' said the demon.

'I thought my heart was broken.'

'No,' said the demon, without hate, 'you didn't.' It stared at him with expressionless eyes, and he was forced to look away.

'I thought, now she'll never known I've been sleeping with her sister.'

The demon took apart his life, moment by moment, instant by instant to awful instant. It lasted a hundred years, perhaps, or a thousand – they had all the time there ever was, in that grey room – and towards the end he realised that the demon had been right. The physical torture had been kinder.

And it ended.

And once it had ended, it began again. There was a self-knowledge there he had not had the first time, which somehow made everything worse.

Now, as he spoke, he hated himself. There were no lies, no evasions, no room for anything except the pain and the anger.

He spoke. He no longer wept. And when he finished, a thousand years later, he prayed that now the demon would go to the wall, and bring down the skinning knife, or the choke-pear, or the screws.

'Again,' said the demon.

He began to scream. He screamed for a long time.

'Again,' said the demon, when he was done, as if nothing had been said.

It was like peeling an onion. This time, through his life he learned about consequences. He learned the results of things he had done; things he had been blind to as he did them; the ways he had hurt the world; the damage he had done to people he had never known, or met, or encoutered. It was the hardest lesson yet.

'Again,' said the demon, a thousand years later.

He crouched on the floor, beside the brazier, rocking gently, his eyes closed, and he told the history of his life, re-experiencing it as he told it, from birth to death, changing nothing, leaving nothing out, facing everything.

He opened his heart.

When he was done, he sat there, eyes closed, waiting for the voice to say, 'Again,' but nothing was said. He opened his eyes.

Slowly, he stood up. He was alone.

At the far end of the room, there was a door, and as he watched, it opened.

A man stepped through the door. There was terror in the man's face and arrogance, and pride. The man, who wore expensive clothes, took several hesitant steps into the room, and then stopped.

When he saw the man, he understood.

'Time is fluid here,' he told the new arrival.


*Este é um conto de Neil Gaiman, publicado na coletânea Fragile Things. Já achei esse texto em traduções para o Português, e lido pelo próprio Gaiman, mas tive dificuldade em encontrar a versão no livro. Como é meu conto favorito do Neil Gaiman, e a tradução perde muito da narrativa, decidi eu mesmo colocar na versão original.

Mas, comprem o livro, vale cada linha, como tudo o mais de Neil Gaiman.

quarta-feira, 8 de setembro de 2010

Pagando uma dívida.

A algum tempo, a JuDacoregio mandou um meme pelo seu blog pessoal, o Escrava das Letras. Bom, isso já faz algum tempo, mas eu não esqueci, e agora vou responder.

A ideia é escrever 9 coisas aleatórias a meu respeito, que vierem na minha cabeça. Agora que tenho que fazer isso mesmo, começo a lembrar porque enrolei tanto...

1 - Eu gosto de debater, de discutir ideias. Eu me orgulho da minha inteligência, e gosto de ser reconhecido por ela. Sim isso é narcisista, eu sei. Mas quem não tem nenhuma vaidade que atire a primeira pedra.

2 - Adoro música. Sou completamente apaixonado por música. Escuto de Beatles a Enya. De Pink Floyd e Queen a Beethoven, de Black Sabbath e Motorhead a Norah Jones. De Emma Shapplin a Europe.

3 - Sou viciado em livros. Sempre leio mais de um ao mesmo tempo. Procuro escolher sempre no mínimo um livro relacionado a ciência, e um livro de ficção. Se não tenho nada novo, releio algum do Carl Sagan, ou do Neil Gaiman. E alguns livros eu leio periodicamente.

4 - Tenho problemas para conviver com pessoas com as quais não tenho afinidade, ou não respeito intelectualmente. Prefiro não falar com ninguém por dias, do que falar com pessoas que não vão acrescentar nada.

5 - Um dos meus objetivos, e um dos motivos pelos quais escolhi a carreira acadêmica, é que pretendo trabalhar no exterior em algum momento. E não lavando pratos. Se for pra ir pra outro país, quero entrar pela porta da frente.

6 - Gosto de conhecer lugares. E não é visitar como turista. Gosto de ficar um tempo, de viver o cotidiano do lugar, de sentir como são os ambientes e as pessoas. Esse tipo de experiência sempre enriquece nossa visão do mundo.

7 - Não consigo trabalhar ou estudar em completo silêncio. Sou muito dispersivo. Ouvir música é uma forma de dispersar de forma controlada, e manter a produtividade.

8 - Defendo o uso da razão, e acho nossa característica primordial. Nossa razão é nossa única diferença ao resto das espécies. Mas sou passional. Não sei fazer coisas que não me conquistam, pelas quais não sou apaixonado.

9 - Sempre que ando de avião, levo no mp4 a música Moonlight Sonata, de Beethoven, pois se o avião cair, irei aproveitar o tempo para ouvir essa música.


quinta-feira, 2 de setembro de 2010

quinta-feira, 5 de agosto de 2010

Afinidade e tempo


Uma amizade pode surgir sob as formas mais diversas imagináveis, mas uma coisa em comum todos meus amigos (e você que leu outros posts, sabe que quero dizer AMIGO). Uma coisa em comum entre todos que realmente significam algo na minha vida, aqueles pelos quais eu entraria em uma luta a qualquer momento, é que todos tiveram uma afinidade praticamente instantânea. Com todos eles, o comentário de conhecidos em comum sempre foi:

- A quanto tempo eles se conhecem? Nunca vi alguém ganhar confiança tão rápido! E outras frases semelhantes.

Esse padrão me fez criar algumas diretrizes que sigo em minha vida:

1 - Afinidade não significa tempo. Pessoas com afinidade descobrem isso em alguns minutos. Ou seja, pessoas que você conhece a décadas podem nunca significar nada para você. Não é algo para sentir vergonha. É como funciona o mundo - Desencana.

2 - Se você não sentiu afinidade por alguém, não tente forçar. Isso só vai levar a decepções no futuro.

3 - Se você sentiu afinidade por alguém, por mais breve que tenha sido o contato, não sinta vergonha em admitir isso, em dizer que gostou daquela pessoa. Coloque a culpa nos ferormônios, em vidas passadas, tanto faz... mas não tenha medo de sentir afinidade por alguém. A vida é curta demais e as pessoas que valem a pena são poucas demais. Não deixe de aproveitar uma amizade.

Enfim, a lição que fica de alguém que não tem e nem procura muitos amigos é:

Se você quer AMIGOS, não tenha vergonha de admitir seus sentimentos. Eles poderão ser poucos, você poderá cometer erros, mas sua vida vai valer a pena.

sábado, 31 de julho de 2010

Sobre ler


Sempre que leio um bom livro, tenho o ímpeto de compartilhar as epifanias e devaneios que ele me proporciona. Alguns livros me fizeram escrever páginas e páginas de anotações e futuros textos, que nunca foram publicados. Esse padrão é tão frequente, que me fez perguntar porque eu não compartilho essas experiências. E a resposta é uma só. Ler um livro é como um beijo, uma carícia. Ler é uma experiência pessoal. Eu posso escrever centenas de páginas sobre o efeito de um livro (ou sobre sentir as carícias e beijos de alguém) e mesmo assim ninguém vai sentir da mesma forma que eu. E eu nunca vou sentir da mesma forma que você.

Todo aprendizado é pessoal. O máximo que podemos esperar, é compartilhar nossas fontes e experiências, e acreditar que as outras pessoas vão extrair algo relevante dessa interação.

Então, fica uma lista de livros que mudaram minha forma de enxergar algum aspecto do mundo. Mas antes de começar a ler, lembre-se:

Assim como um beijo, um livro só deve ser degustado quando se esta pronto para aceitar as consequências dessa escolha. Um beijo sem significado é um pecado contra si mesmo, assim como desperdiçar a leitura de um bom livro.

A insustentável Leveza do Ser - Milan Kundera
O Lobo da Estepe - Hermann Hesse
Cem Anos de Solidão - Gabriel Garcia Marquez
Memórias do Subsolo - Fiódor Dostoiévski
Fragile Things - Neil Gaiman
O Pequeno Príncipe - Antoine de Saint-Exupéry
A Metamorfose - Franz Kafka
A Menina que Roubava Livros - Markus Zusak

Gostaria de acrescentar algum livro à lista?

sexta-feira, 30 de julho de 2010

Amigos

Sempre que esse assunto é colocado em pauta, me lembro de uma cena do filme Tombstone. Um dos coadjuvantes inicia o seguinte diálogo com Doc. Holliday.


Turkey Creek Jack Johnson: Why you doin' this, Doc?
Doc Holliday: Because Wyatt Earp is my friend.
Turkey Creek Jack Johnson: Friend? Hell, I got lots of friends.
Doc Holliday: ...I don't.


Turkey Creek Jack Johnson: Porque você esta fazendo isso, Doc?Why you doin' this, Doc?
Doc Holliday: Porque Wyatt Earp é meu amigo.
Turkey Creek Jack Johnson: Amigo? Inferno, eu tenho vários amigos.
Doc Holliday: ...Eu não.

Eu gostaria de comentar mais sobre ter amigos. Mas sobra muito pouco para falar depois da eloquência de Doc Holliday.




quinta-feira, 22 de julho de 2010

Para Divulgar

Aproveito o espaço para divulgar o Blog - http://www.sindromedosanjos.blogspot.com/

Um blog feito por uma mãe, para divulgar informações sobre uma doença genética rara.

Deixo com vocês, as palavras dela:

Recentemente criei um blog contando a história do meu filho (Guille) e a Síndrome de Angelman, e lá eu faço comentários como mãe, bem como dou informações sobre assuntos mais "técnicos" - não apenas da Síndrome de Angelman, mas tb de outras doenças raras.

Neste blog conto toda a luta desde as primeiras manifestações da síndrome, a busca pelo dignóstico correto, médicos, tratamentos e terapias e tudo que passamos dia a dia convivendo com uma criança com a Síndrome de Angelman. Tb terão dicas e experiências de outras famílias, novidades do cenário mundial quanto a novos tratamentos e descobertas científicas.

Gostaria que vcs visitassem o blog e se associassem como “Amigos do Guille" e que me ajudassem a divulgar o blog e a Síndrome de Angelman. Não conheço ninguém melhor que os amigos e aliados na crença científica para me ajudar na divulgação. Creio que ao lerem sobre a Síndrome de Angelman poderão entender pq alguns se tornam descrentes e outros se agarram a religião tão ferozmente! Façam comentários e sugestões de pauta para que eu possa melhorar cada vez mais o blog. Bem vindos ao mundo do meu anjo: o Blog do Guille!
"BloGuillem-se!"

O endereço é www.sindromedosanjos.blogspot.com

Obrigada e bjs!